27.1 C
Rio de Janeiro
quinta-feira, dezembro 2, 2021

2021 – Alerta: suicídios aumentam entre jovens durante pandemia

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

3ª causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos.

Suicídios

        A pandemia da corona vírus afetou severamente a rotina de todos, alterando comportamentos, expectativas e forma de ser e estar no mundo. Em meio a números assustadores de casos, vimos rapidamente o medo avançar e com ele incertezas, sensação de vulnerabilidade, frustração, estresse emocional. Estes fatores somados a privação social, instabilidade econômica, sentimento de perda, tornaram-se elementos capazes de aumentar o risco de desenvolver transtornos mentais.

Em 10/09/20, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), alertava para o aumento dos fatores de risco para angústia, ansiedade e depressão, enquanto em 2021 a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que uma crise de saúde mental acompanha a crise sanitária.   

Nesse cenário, algumas pesquisas apontam um número crescente de jovens e crianças que desenvolveram alguns transtornos em que os números mais alarmantes são os de depressão, automutilação e suicídio. Um hospital psiquiátrico de Michigan (USA), Pine Rest Christian Mental Health Sevices, publicou uma pesquisa revelando que o suicídio aumentou em 32%, principalmente entre a população jovem com idade entre 10 e 29 anos, sendo em maior número, homens.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, anualmente, ocorre um suicídio a cada 40 segundos no mundo, ou seja, aproximadamente 800 mil. Nesta conta, o Brasil só perde para os Estados Unidos.

Há uma insegurança diante dessa crise sanitária e financeira, associada a privação de contato social (convívio, lazer, trabalho), que estimula vários gatilhos emocionais afetando gravemente a saúde mental das pessoas e principalmente desses jovens. No Brasil, um estudo feito em 23 estados pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), indicou um crescimento de 90,5% nos casos de depressão.

Muitos jovens não saem de casa desde março/20, principalmente os que moram com parentes do grupo de risco. Estão trancados, assistindo aulas virtuais, sem atividades ao ar livre, educação física, arte ou música e sem brincar ou conversar pessoalmente com amigos, parentes e professores.

  Os alunos “ficaram sem professores e adultos compreensivos fora de seu círculo familiar, que muitas vezes detectam sinais sutis de crise, de depressão, de ansiedade” (Duffy), sem mencionar o medo do vírus, da morte de um familiar. A pandemia também aumentou o risco de abuso infantil, já que muitos casos acontecem dentro da própria casa; familiares próximos podem tender ao comportamento agressivo e muitas vezes, quem percebe e denuncia são professores e escolas. Algumas crianças, porém, preferem aulas online porque evitam enfrentar a pressão social ou provocações e insultos de colegas na escola.

Sinais de alerta de suicídio

suicidios

Em muitos casos, o jovem (e isso também se aplica a todas as faixas etárias), pode não entender o que está sentindo e, por isso, é muito importante a percepção da família ao redor sobre comportamentos e falas. O ideal é detectar os sinais e buscar ajuda psicológica antes que chegue a uma situação crítica.

O caminho até o suicídio muitas vezes, passa por alguns sinais que podem indicar a intenção.  Falas sobre querer morrer, culpa ou vergonha, ser um problema para os outros, sensação de vazio, falta de razão para viver, desesperança; extrema tristeza, ansiedade, raiva extrema, dor insuportável, física ou emocional. Comportamentos diferentes como isolar-se da família e amigos, pesquisar formas de morrer, despedir-se, fazer testamento, atitudes arriscadas, não conseguir comer ou dormir bem, uso de drogas ou álcool.

É muito importante que as pessoas conversem claramente sobre o assunto, que a família e amigos ao redor conheçam e estejam atentos aos sinais de alerta, que busquem reforçar vínculos, mesmo agora em tempos de pandemia, momento de grande distanciamento físico, para apoiar uns aos outros.

Como prevenir o suicídio

Suicidio

Há intervenções eficazes para que o suicídio seja evitado! A detecção precoce e o tratamento da depressão e outros transtornos (inclusive uso de álcool e outras substâncias), são fundamentais para a prevenção. Ter um suporte psicossocial nas comunidades é primordial para o aconselhamento nesses momentos. Em caso de reconhecimento de sinais de suicídio em si mesmo ou em alguém, a recomendação é procurar ajuda de um profissional de saúde o mais rápido possível.
 
        Segundo a OPAS, outras medidas necessárias para reduzir o número de suicídio são: facilitar o acesso aos cuidados de saúde mental, limitar o acesso aos meios para cometer suicídio, fornecer informações verdadeiras sobre o assunto na mídia e reduzir o estigma associado à procura de ajuda psicológica.
 
        O Brasil dispõe de um serviço gratuito de apoio emocional e prevenção ao suicídio, o Centro de Valorização da Vida (CVV), que ajuda pessoas com pensamentos suicidas através do número 188, além de atendimentos por e-mail, chat e presenciais, em clínicas espalhadas por todo o Brasil.

       Não se sabe ainda como será ao fim dessa pandemia, mas é fundamental havendo sinais de quaisquer danos à saúde mental, buscar cuidados com profissionais capacitados. Estamos todos juntos!

Conheça o autor desse artigo clicando AQUI

Visite nosso Blog e saiba mais sobre Dependência Química

- Advertisement -spot_img
Ana Roberta Vieira de Souza
Ana Roberta Vieira de Souza
Ana Roberta Vieira de Souza, graduada em Psicologia pela Universidade Estácio de Sá no Rio de Janeiro e Pós-graduanda em Psicologia clínica da Gestalt pela faculdade Celso Lisboa. Atua como Psicóloga clínica. Participou e publicou de pesquisa sobre Visão e identidade da Psicologia em dias atuais pela Universidade Estácio de Sá. Atua como voluntária em projetos sociais ligados a associação comunitária de Pedra de Guaratiba.
POSTES RECENTES
recomendados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Aviso Importante: o Site IDASRJ não retém nem uma informação pessoal ou dados financeiros de seus doadores, portanto fique tranquilo para realizar sua doação de forma segura
CNPJ: 0.465.055/0001-91