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quinta-feira, dezembro 2, 2021

Dependência Química – A vida psíquica das drogas:

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A Linha Tênue entre o Prazer e a Necessidade

Dependência Química

O ser humano é um sujeito envolvido com o seu inconsciente, um ser dividido e em conflito, que precisa arcar na vida consigo mesmo, com suas questões, suas insuficiências e com seus desejos. Na drogadição, momentaneamente, o sujeito desaparece, deixando uma espécie de corpo que funciona, que acolhe as drogas e que produz efeitos físicos apaziguadores, mesmo que sejam excitantes, porque diminuem a dor de viver. Porém, esse efeito é temporário, já que não existe vida sem sujeito e a angústia volta redobrada.

Não existe uma razão comum para a pessoa se drogar. Alguns se drogam para procurar amparo, como se a droga junto ao corpo deixasse o sujeito pleno e perfeito. Outros, ao contrário, buscam as drogas para se afastar da sensação de perfeição, de completude que os sufocam.

É um longo caminho para que ele deixe de acreditar que a droga resolve a sua subjetividade, para que ele perceba que é a sua fala, sua palavra, suas indagações que vão produzir um caminho que leva à elaboração de seus dilemas internos.

O percurso do vício em qualquer substância vai do prazer à necessidade. A droga aos poucos vai deixando de ser esse objeto de prazer que o sujeito poderia dispor e se torna um objeto de necessidade, ou seja, imperativo. Por isso, há uma relação entre a droga e a violência. Pois, no momento em que aquela falta se torna insuportável e que ter a droga se torna imperativo, o sujeito é capaz de brigar, bater e eventualmente matar.

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Mecanismos de Defesa do Dependente Químico

Quando a dependência se instala o dependente químico apresenta um perfil característico, no qual utiliza uma série de mecanismos de defesa para tentar lidar com o vício. Estes são utilizados pelos adictos para proteger seu consumo de drogas e estão frequentemente associados a comportamentos antissociais e prejudiciais a saúde.

Veja a seguir quais são:

1. Negação

O usuário não consegue encarar a realidade e para ele é difícil reconhecer que possui um problema. Exemplo: “Não sou como os outros”.

2. Manipulação

O adicto utiliza o apelo emocional antes da reflexão. Através de sentimentos como a dor, o medo, a esperança de melhora, ele adota discursos para atingir seu objetivo que, muitas vezes, tem sucesso com a família e amigos. Exemplo: “Prometo que esta foi a última vez, só preciso do dinheiro para pagar minha dívida”.

3. Racionalização

Atribuição de motivos socialmente desejáveis de modo a parecer que age de forme lógica. Exemplo: “Não tem como ir à uma festa sem beber, a sociedade exige isso de mim”.

4. Projeção

O dependente químico projeta sua adicção como culpa de outra pessoa, afim de justificar o consumo de drogas. Exemplo: “Uso drogas porque meu pai me abandonou”.

5. Grandiosidade

O usuário acredita que sabe exatamente o que está fazendo. Exemplo: “Meta-se com a sua vida”.

Mecanismos de Defesa do Dependente Químico

A Ação das Drogas no Cérebro

Os efeitos das substâncias no cérebro progridem em um “querer” patológico e um desejo obsessivo, incontrolável pela droga. O sistema de recompensa no cérebro faz com que a região de memória armazene as sensações provocadas pela droga como prazerosa e favorável. Então o sujeito passa a se dedicar cada vez mais intensamente a tudo o que permeia a droga. Lentamente começa a existir um crescente descuido consigo mesmo e com tudo o que lhe era de interesse.

Ainda que em uso prolongado de determinada droga, poderá ocorrer uma diminuição dos efeitos de bem-estar e prazer, estabelecendo dessa forma a tolerância. E quando isto ocorre, o uso compulsivo da droga não será mais para manter os efeitos de prazer, mas sim para reduzir o desconforto provocado pela sua ausência.

A dependência física surge neste momento, na tentativa de abreviar os sintomas de desconforto. Ela pode ser observada no abuso de álcool e opióides.

Na dependência psíquica os sintomas são diferenciados, pois englobam efeitos comportamentais e psíquicos. Pode ser observada no abuso de nicotina, cocaína e maconha.

Como parte das respostas às síndromes de dependência, temos a tolerância, a abstinência, o craving (fissura) e a recaída.

Na abstinência o organismo pode levar até mesmo um ano para se estabilizar. Já a fissura é decorrente do uso compulsivo da droga e é um dos grandes fatores que induzem a recaída. Essa fase é marcada por um desejo incontrolável de consumir a droga.

A recaída pode acontecer mesmo após anos de abstinência.

RECAIDA-DAS-DROGAS-IDAS

Codependência Familiar

A família é o primeiro e principal grupo afetado quando um dos membros se torna dependente químico. A relação interpessoal fica comprometida, o que leva à fragilidade dos familiares e à dificuldade de manter laços afetivos.

Tais situações conflitantes desencadeiam sentimentos de angústia, culpa e responsabilização.

É muito comum encontrar uma relação de codependência no âmbito familiar, em que a pessoa assume a atitude de cuidador obsessivo, controlando o comportamento do outro e esquecendo de si próprio. A pessoa assume a culpa pelas atitudes do dependente, o qual, por sua vez, julga ser a família a causadora do seu comportamento inadequado.

Nestes casos é recomendado que o familiar busque ajuda em grupos de apoio anônimos e acompanhamento psicológico.

Dependência Química

Importante ressaltar que o uso de substâncias psicoativas, ainda que iniciado de maneira social, recreativa, pode desencadear um processo complexo de adaptação neural, resultando em alterações prolongadas, talvez para toda a vida do indivíduo.

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Leia também: Arteterapia – Um novo olhar sobre a saúde mental: 2021

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Thaís Azevedo Antunes
Thaís Azevedo Antuneshttps://www.instagram.com/entre___paginas/?r=nametag
Thaís Azevedo Antunes, estudante de Psicologia e graduada em Biologia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Participa do Projeto de Pesquisa e Extensão Identidade de Gênero LGBTQI+, Cidadania, Trabalho e Saúde. Atua como voluntária no Centro de Valorização da Vida (CVV), como facilitadora da aprendizagem de crianças especiais e em projetos sociais como o Janeiro Branco, na promoção da saúde mental.
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